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domingo, 10 de junho de 2012

O cinismo de Ronaldinho Gaúcho








Por: Ruth de Aquino, da revista Época

Não sei se foi a perda precoce do pai, afogado na piscina de casa quando o garoto Ronaldinho driblava as cadeiras e tinha 8 anos.

Não sei se foi a influência calculista do irmão Assis, dez anos mais velho, que se tornou seu empresário e o verdadeiro dono de seu passe.

Mas o grande Ronaldinho Gaúcho se apequena quando fala sobre suas trapalhadas. Sempre foi assim. Ele não vai mudar. “O Flamengo faz parte do passado”, diz o atacante que já encantou o Brasil e o mundo.

Para quem critica a entrevista que ele deu ao Fantástico depois de rescindir o contrato com o clube, é bom saber que Ronaldinho Gaúcho apenas repetiu sua performance.

O rapaz é um santo. Nunca houve problemas no Flamengo com treinadores, colegas. Nunca faltou a seus compromissos. Nunca dormiu mais que os outros. Nunca bebeu na véspera de um jogo ou comemorou com festança uma derrota. Nunca levou mulher para a concentração.

Sempre deu seu melhor. Ele teria sido mais honesto se tivesse feito como o bicheiro lobista Cachoeira e o senador Demóstenes Torres: “Nada a declarar”.

Conversei com Ronaldinho em sua casa no subúrbio de Paris, em 2002. Ele estreava na Europa pelo PSG (Paris Saint-Germain). Tinha deixado em Porto Alegre uma torcida enfurecida com ele, a do Grêmio. Na entrevista, disse que seria gremista “para o resto da vida”. Seus únicos problemas tinham sido “as mentiras da direção do clube”. 

Falava como autômato. “Nunca tive problemas fora de campo. Nunca fui vaiado em boate.”


Os gremistas criaram um site chamado “Dentuço Pilantra”. Sobre o técnico Vanderlei Luxemburgo, que não o escalara para um jogo alegando que estava gordo, afirmou: “Grande treinador. Tenho uma amizade grande por ele”.

O camisa 10 tinha 22 anos, começava a deixar o cabelo comprido e já não assumia vontades ou desafetos. Não olhava no olho, mas para baixo. Parecia um autista. Quando perguntei quanto ganhava no PSG, respondeu sem piscar: “Mamãe é que sabe. Não me preocupo com dinheiro”.

Pensei: é muita cara de pau. Talvez fosse o sucesso meteórico na tenra idade. Muito dinheiro, endeusado antes do tempo. Tem atleta que lida bem com isso. Outros não.


Leia a íntegra em : O cinismo de Ronaldinho Gaúcho

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