Coluna do Carlos Brickmann | Blog do Louremar

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Coluna do Carlos Brickmann

"Perguntar não ofende"

1 - Foram presas 123 pessoas. Só naquela estrada que ligava a Vila Cruzeiro ao Complexo do Alemão havia muito mais gente em fuga. Cadê os outros?

2 - Aqueles cavalheiros de bermuda, sem camisa, descalços, que moram no meio da favela, são os donos do tráfico que movimenta milhões de reais por dia?

3 - A Polícia se mostrou surpresa com uma boa casa, com piscina, no Alemão. Ninguém sabia da casa? Os helicópteros da Polícia não a fotografaram?

4 - Os traficantes ficaram sem ponto e sem estoque. Mas os consumidores querem comprar. Quem os abastece? Quem os protege da crise de abstinência?

5 - Quem trabalhava no tráfico vai viver do que? Há planos de emprego?

6 - Se alguém tiver síndrome de abstinência, pode mudar de droga (cola, por exemplo), pode ficar violento. Quem não tiver emprego terá de arranjar dinheiro de algum jeito. É complicado, mas há alguém do Governo pensando nisso?

7 - Segundo a Polícia, os operários encarregados das obras do PAC no Complexo do Alemão foram obrigados pelos traficantes a construir um túnel que servisse como rota de fuga. Se o Complexo do Alemão era território ocupado (tanto que as autoridades anunciaram que retornara ao controle do Estado brasileiro), como explicar investimentos numa área que não era nossa? Os operários, pagos pelo Governo mas pressionados pelos traficantes, poderiam rejeitar suas ordens?

8 - O traficante Zeu, um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, teve autorização para sair da cadeia e foi para o morro. Quem foi o juiz que deu a ordem?

Assassino, traficante, livre

Zeu é o apelido de Eliseu Felício de Souza, preso e condenado pelo assassínio de Tim Lopes. Cumprido um sexto da pena, em 2007, recebeu da Justiça o direito de cumprir pena em regime semi-aberto - só dormiria na cadeia. Não voltou mais, claro. Há uns três ou quatro meses, foi visto vendendo drogas tranquilamente, de dia, ao lado de um canteiro de obras da Prefeitura, ali na favela. Por algum motivo, não fugiu com os outros, e foi preso. Até quando ficará preso?

A inflação vira pó

Depois das duas invasões no Rio, o preço da cocaína subiu 50% em São Paulo e 70% no Rio, segundo fontes que têm acesso a informações policiais. Subiu também o aluguel de armas.

A guerra paulista

E, caro leitor, não pense que a guerra se restringe ao Rio. A Polícia paulista encontrou 400 quilos de dinamite armazenados pertinho do presídio de Franco da Rocha. Tudo indica que o objetivo fosse derrubar os muros do presídio.

Viaje e seja assaltado

Atenção para a Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte: os assaltos se sucedem nos pontos (inúmeros) de congestionamento. Até aí, tudo normal, num país que aceita que partes de seu território sejam controladas por bandos armados durante dezenas de anos. O problema é que, há alguns dias, diversos proprietários de veículos assaltados pediram ajuda ao telefone 190, mas foram informados de que, como a Fernão Dias é federal, só a Polícia Rodoviária Federal poderia atendê-los. Poderia; mas informaram que não havia viaturas nem soldados suficientes para as ocorrências. E onde estavam os policiais? A menos de mil metros, em seu posto. Os assaltos ocorrem bem pertinho de São Paulo.

A última que morre

O senador Osmar Dias, do PDT paranaense, derrotado na disputa pelo Governo do Estado, lembra que desistiu de uma reeleição certa para ajudar na eleição de Dilma. Agora, diz que espera um reconhecimento por parte dela. Osmar Dias pode ficar tranquilo: quando se encontrarem, Dilma não só o reconhecerá imediatamente como o tratará não só pelo nome, mas também pelo antigo posto. Algo como "caro senador Osmar Dias, meu anjo!"

Estatizando a saúde

O novo secretário da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, era até agora conselheiro do DASA - Diagnósticos da América, multinacional que controla, entre outros, os laboratórios Delboni-Auriemo, Lavoisier, CientificaLab, Lamina e muitos outros em vários pontos do país, e presta serviços ao Governo.

Boa, má, péssima

Uma grande empresa de venda de material de construção e decoração inicia negociações com a China, União Européia e Estados Unidos por não encontrar produtos no Brasil. É uma boa notícia: mostra que o mercado interno se ampliou. É uma má notícia: mostra que as empresas aqui instaladas não se interessaram, por algum motivo, em investir no aumento da produção. É uma péssima notícia, já que o Brasil precisa aumentar as exportações, não as importações.

Nosso grande líder

Hasteie a bandeira do Brasil, fique de pé com a mão no peito, cante o Hino Nacional: nesta quarta, dia 1º, o Congresso Nacional outorga a Medalha do Mérito Legislativo a João Pedro Stedile, o líder do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pelos relevantes serviços prestados ao Parlamento. Não, este colunista não se enganou: a medalha é para João Pedro Stedile, mesmo.
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Carlos Brickmann - Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

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