As empregadas domésticas terão os mesmos direitos dos demais trabalhadores com carteira assinada. Em reunião com ministros e líderes da base governista, a presidenta Dilma Rousseff apresentou ontem proposta do governo para regulamentar a PEC aprovada em abril que garante à categoria benefícios previstos pela CLT. A principal iniciativa encaminhada por Dilma à comissão mista do Congresso, que cuida do assunto, é o pagamento de multa de 40% sobre o saldo do FGTS para a trabalhadora, em caso de demissão sem justa causa. Outro ponto proposto determina que o recolhimento para o INSS dos patrões ficará mesmo em 12%.
Aplicar multa de 40% para o FGTS se contrapõe à sugestão feita pelo
senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da comissão, que previa 5% e 10% se
houvesse acordo para demissão ou o desligamento fosse decisão do empregador.
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| A presidente Dilma Rousseff debate com integrantes da Comissão Mista do Congresso a regulamentação dos direitos dos empregados domésticos. Foto: Wilson Dias/ABr |
O governo também propôs flexibilizar a jornada de trabalho das
domésticas. A proposta pode ser estendida a babás, cuidadoras e motoristas.
Dilma apresentou três possibilidades de jornada: 8 horas diárias ou 44 horas
semanais, com no máximo quatro horas extras por dia; 12 horas diárias e 36
horas de intervalo de descanso; e criação de banco de horas para compensação da
hora trabalhada além do expediente com validade de um ano.
As propostas foram entregues ao senador Romero Jucá e ao deputado
Cândido Vaccarezza (PT-SP), presidente da comissão mista. Segundo Jucá, os
parlamentares vão agora elaborar projeto de lei para tramitar na Câmara e no
Senado. Pela PEC aprovada em abril, a regulamentação dos direitos deve ser
finalizada até o começo de julho. O senador ficou de apresentar o relatório final
esta semana.
O governo explicou ainda que a contribuição de 12% para o INSS cobrirá
outros direitos previstos pela PEC, como seguro contra acidentes de trabalho,
seguro-desemprego e salário-família. Para empregados continua valendo alíquotas
de 8% a 11% para o INSS, conforme a faixa salarial.
OUTROS PONTOS
Site para cadastro - A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, informou que site do governo
abrigará o Simples Doméstico, que será mantido pela Receita e os ministérios da
Previdência e do Trabalho. Ele vai unificar o pagamento do FGTS, do INSS e do
IR, quando for o caso. Mas só estará no ar quando a regulamentação dos direitos
entrar em vigor.
Hora Extra - Hora extra das domésticas será acrescida de 50%. O adicional noturno (22h as 5h
da amanhã) será de 20%.
Feriados - Trabalho nos feriados será permitido, desde que haja uma folga para compensar ou
seja pagamento em dobro das horas trabalhadas.
Intervalo - Pela proposta de Dilma, as domésticas passam a ter intervalo de uma hora de
descanso, podendo ser reduzido a 30 minutos se houver acordo. O intervalo
mínimo de descanso entre as jornadas seria de 11 horas, e os trabalhadores
teriam direito a um dia livre, de preferência nos domingos.
Risco de demissão - Para o presidente da ONG Doméstica Legal, Mário Avelino, adotar multa de 40%
sobre o FGTS e não reduzir a alíquota do INSS, vão aumentar o risco de demissão.
“O governo desonerou vários setores da economia. Mas não faz isso para aliviar
o empregador doméstico que vai arcar com os custos. Vai haver demissão!”,
alerta.

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