"O miado do leão"
Surpreenda-se: o ministro Samuel Pinheiro Guimarães é antiamericano! Pasme: os países árabes temem mais o Irã do que Israel! Boquiabra-se: o Governo russo é dirigido em dupla pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, o principal dirigente político do país, e pelo presidente Dmitri Medvedev, seu aliado menos importante (e, nos meios diplomáticos, são conhecidos como Batman e Robin).
Até agora, os documentos vazados pelo Wikileaks, e que provocaram tanta expectativa, são como uma Ferrari com motor de carro chinês: aparentavam muito mais do que realmente são. Os americanos espionam, claro, todos os dirigentes estrangeiros que podem (os russos, obviamente, também; e os franceses, e os ingleses, e os israelenses, e os chineses, e os alemães - o Serviço Secreto da antiga Alemanha Oriental, do temível Markus Wolf, sempre foi um dos mais eficientes do mundo). Carla Bruni, bonita e charmosa, é um reforço e tanto à habilidade diplomática de seu marido, o presidente francês Sarkozy. A presidente argentina Cristina Kirchner ouvia muito os conselhos de seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. O presidente Lula é corinthiano. E não é preciso acompanhar vazamentos de informações para saber essas coisas.
O idealizador e comandante do Wikileaks promete novas e sensacionais revelações, inclusive referentes aos negócios de um gigantesco banco internacional. Pode ser. Mas as novas e sensacionais revelações sobre o Brasil, que poderiam até ter influído no resultado das eleições, essas não apareceram até agora.
O rugido do gato
Não se impressione com a pressão do PMDB sobre a presidente Dilma Rousseff para obter mais cargos. O PMDB é um partido grande, mas tem grande dificuldade de atuar em conjunto (está dividido até entre bancada na Câmara e bancada no Senado). A pressão vai continuar, mas não a ponto de colocar em risco a aliança com o Governo. E as reclamações continuarão sendo feitas, mesmo que todos os cargos governamentais sejam postos à disposição do partido. O PMDB, como define um grande empresário, é como um gato: mia e goza.
O rosnado do silêncio
É ensurdecedora a quietude de Sérgio Cortes, O Breve, aquele que foi dormir ministro da Saúde e acordou como secretário do Rio, e olhe lá. Não falou nada. Deve ser terrível tornar-se famoso como o que não foi sem nunca ter sido.
O troar das turbinas
O BAFO (Brazilian Air Force One), ou AeroLula, um Airbus 319 comprado zerinho, decorado com capricho, com poucos anos de uso, feito na medida para o presidente Lula, parece pouco para a presidente eleita. Pede-se agora um jato bem maior, de quatro motores, capaz de voar sem escalas a uma distância muito superior, que deve custar algo como cinco vezes o preço do anterior. É bom: pode levar a presidente para mais longe de nós. E justo: é o cumprimento de uma antiga promessa. Ao assumir o Ministério da Defesa, Nelson Jobim determinou o aumento do espaço para passageiros nos aviões nacionais. Começou por cima.
O falsete dos pelinhos
O deputado federal Jair Bolsonaro, do PP do Rio, sugeriu aos pais que, se algum filho tiver alguma inclinação gay, deve apanhar o suficiente para desistir disso. Pois é, pois é. Já veio a resposta, na forma de fotos: o blog de Marli Gonçalves mostra que o deputado se depila - um hábito muito mais comum entre mulheres do que entre homens. Seguindo próprios conselhos de Sua Excelência, couro nele!
Uivando para a Lua
Os caciques do PSDB e do DEM se reuniram para renovar a oposição, preparando-a para competir em eleições presidenciais. Entre os caciques, Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, Geraldo Alckmin, governador eleito de São Paulo, e Aécio Neves, senador eleito de Minas. Todos concordam em entregar o comando da oposição apenas a políticos vitoriosos, não aos que a levaram à derrota neste ano.
Só que Sérgio Guerra comandou a campanha derrotada de Serra (e nem tentou se reeleger no Senado: optou pela Câmara, onde a eleição é mais fácil). Rodrigo Maia comandou a campanha derrotada do pai, César Maia, ao Senado. Aécio ganhou em Minas, mas Serra, seu candidato à Presidência, tomou uma surra por lá. Trabalhar só com vitoriosos não será uma tarefa tranquila para a oposição.
O bramir do futuro
José Serra prometeu não concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2012. Serra poderia ter-se poupado da promessa: essa decisão, já a haviam tomado por ele.
O murmúrio da verdade
Nesta última quinta-feira, a Prefeitura do Rio começou a colocar placas de rua na Penha e no Alemão. Até agora, a população das favelas não tinha sequer como identificar uma rua. Se nem nome as ruas têm, se em todo o Alemão há no total duas escolas públicas, se a classe média só passa por lá para comprar seus bagulhos, se o poder público, quando sobe ao morro, vai com as armas apontadas e engatilhadas, que é que queriam da população: cidadania?
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Carlos Brickmann - Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.
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