| Blog do Louremar

domingo, 5 de junho de 2011


 "É sólido mas desmancha no ar"

O PMDB, que sabe para onde sopra o vento, já deu o sinal: em seu programa de TV, que foi ao ar na última quinta, falou maravilhas de Lula e pouquíssimo de Dilma. O PMDB gosta de quem tem poder e pode partilhá-lo. A pessoa mais magnífica é esquecida tão logo perde as condições de distribuir bons cargos.

A bancada governista - sem querer, naturalmente - permitiu que duas Medidas Provisórias deixassem de ser votadas, perdendo assim a validade.

Anthony Garotinho, que até já foi do PT, utiliza o caso Palocci para emparedar a presidente: ou consegue o que quer ou ajuda a complicar a vida do ministro e do Governo. Já conseguiu a retirada do kit gay, a rediscussão da lei anti-homofobia, e continua avançando. É franco: diz que o caso Palocci é um diamante que vale 20 milhões. Agora quer a aprovação da PEC 300, aquela que aumenta os salários da PM, em boa parte com dinheiro federal. Ou Palocci que se cuide.

Os cartunistas tripudiam: já chamaram a presidente até de Dilmanic, uma lembrança ao esplêndido navio que naufragou na viagem inaugural. Uma senadora, esposa de um ministro, dá ordens à presidente: ou tira Palocci agora ou fica difícil para a bancada segurá-lo no posto. Ela também é clara: os mensaleiros agiram em nome de um projeto coletivo, enquanto o de Palocci era um projeto individual. Enfiar a mão, vá lá, mas só se for para o partido.

Dilma, avessa a eventos sociais, é obrigada a receber parlamentares e ainda os acompanha à garagem na saída. Só falta exigirem que manobre os carros.

Toma que o filho é teu

Antônio Palocci foi prefeito de Ribeirão Preto pelo PT, ministro do Governo petista de Lula, deputado federal pelo PT, chefe da Casa Civil do Governo petista de Dilma. Mas, conforme diz o secretário nacional de Assuntos Institucionais do PT, Geraldo Magela, Palocci é assunto do Governo, não do PT. Só seria assunto do PT se estivesse por cima.
Como disse Machado de Assis, "ao vencedor, as batatas". Como não disse Machado de Assis, "ao perdedor, o desprezo".

Opostos, mas iguais

Mas não imagine que os problemas de Dilma dêem fôlego aos oposicionistas. Eles preferem brigar entre si. E não se trata apenas da candidatura presidencial em 2014. Em São Paulo, reduto maior do PSDB, o governador Alckmin faz o possível para liquidar Serra, seu antecessor e, digamos, aliado. Um empresário com acesso à administração diz que o massacre do serrismo não seria mais acirrado nem se o PT tivesse chegado ao Governo. Projetos que Serra engavetou ressuscitaram, projetos que ele apreciava morreram, contratos que ele assinou são examinados com lupa.

A oposição não precisa do PT: derrota-se sozinha.

Eles sujam, você paga

Há policiais militares - agentes públicos pagos por nós - em algumas quadrilhas que explodem caixas eletrônicos. Os bancos, e não é por falta de condições financeiras, não tomam conta dos caixas: comportam-se como se estivéssemos na Europa, onde o equipamento, normalmente embutido em alguma parede, dá direto na calçada. E nós, clientes dos bancos, que deveríamos ser protegidos pela PM? Nós ficamos com a culpa e o custo. A solução oficial foi fazer com que os caixas que explodirem manchem as notas. E se algum cliente pegar uma nota manchada, ele terá de dirigir-se ao gerente do banco, que a enviará para perícia, e um dia, algum dia, devolverá o valor à vítima. Se o banco estiver fechado, a ordem é fazer boletim de ocorrência numa delegacia. Que tal passar a noite esperando? Que tal convencer o plantonista da delegacia de que o BO é essencial?

Aqui, dinheiro de impostos e tarifas só cria sistemas para chatear o cidadão.

Crueldade

Local: um shopping center em Taubaté, SP. Vítima: uma criança com Síndrome de Down. Há um ano, aproximadamente, a mãe da criança levou-a para brincar na piscina de bolinhas. Depois da brincadeira, uma funcionária informou à mãe que não deixariam mais a criança entrar, porque outros clientes tinham preconceito contra portadores de Down. A mãe foi à administração do shopping, que a informou de que a criança estava bloqueada porque não havia brinquedos especiais para ela.

Qual a modificação que precisa haver numa piscina de bolinhas para que crianças com Down nelas possam brincar? A mãe processou o shopping e ganhou em primeira instância: deve receber indenização por danos morais de R$ 40 mil. A administração do shopping disse que vai recorrer. Ou seja, fizeram a besteira, foram cruéis, e agora confirmam a crueldade. A indenização não compensa o trauma da mãe, mas é uma forma de punir quem é mau.

Não tem serviço, não?

O deputado federal André Zacaroy, PMDB do Paraná, já conseguiu 150 assinaturas pedindo plebiscito sobre a união de homossexuais. É curioso: duas pessoas do mesmo sexo podem assinar o contrato que quiserem, mas não o de viver juntas? Se não prejudicarem ninguém, por que não?

O que não pode acontecer é cairmos no ridículo do Irã, onde, segundo o presidente Ahmadinejad, não há homossexuais - que, embora não existam, são enforcados. Que cada um cuide de sua vida e de seus companheiros, sem se meter na vida dos outros. Simples, não?

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