Do: O Globo, por Fábio Fabrini
A partir das alegações finais da acusação apresentada pelo procurador-geral
da República, Roberto Gurgel , o processo do mensalão deve cumprir ainda um
longo caminho até o julgamento final no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os réus terão, a partir do início de agosto, quando o Judiciário voltará do
recesso, 30 dias para apresentar suas últimas defesas. Só então o relator do
caso no Supremo, ministro Joaquim Barbosa, começará a elaborar seu voto, que
deve ser concluído em dezembro. Na previsão dele, a sessão que selará o destino
dos 36 acusados deve ocorrer no início de 2012.
Barbosa está de licença médica devido a uma cirurgia no quadril e, segundo
disse[ontem] a interlocutores, ainda não analisou as alegações do chefe do
Ministério Público Federal. E afirmou que isso só deve ocorrer no seu retorno
ao Supremo, em agosto.
Concluído o voto do relator, caberá ao ministro revisor, Ricardo
Lewandowski, elaborar o seu, que não tem prazo certo.
Em entrevista [ontem], em Roraima, o procurador-geral da República, Roberto
Gurgel, disse esperar que o desfecho do caso ocorra ainda este ano. Joaquim
Barbosa e o presidente do Supremo, Cezar Peluso, também já manifestaram
interesse em acelerar os trâmites internos - não os da defesa - para se tentar fazer
o julgamento ainda este ano. Mas eles próprios não são muito otimistas.
Seja qual for a data, o julgamento em si deve ser um dos mais extensos da
história do Supremo. O advogado de cada réu tem direito a uma hora de
sustentação oral. Em geral, uma sessão comum do tribunal dura em torno de
quatro horas. Soma-se a isso o tempo de exposição do procurador-geral (uma
hora, se não houver acordo para estendê-lo), fora as manifestações dos
ministros.
A ação penal do mensalão corre no Supremo, um foro privilegiado, porque dois
dos acusados são deputados - Valdemar Costa Neto (PR-SP) e João Paulo Cunha
(PTSP). Recentemente, surgiram boatos de que, na reta final da ação, eles
poderiam renunciar aos mandatos, o que, em tese, levaria o processo para a
instância comum da Justiça, começando do zero novamente.
Diante dessas especulações, o próprio relator Joaquim Barbosa esclareceu
que, caso houvesse renúncia dos deputados, ele desmembraria a ação. Os dois
deputados negam que tenham essa intenção.
Outra especulação é que alguns dos crimes estariam prescrevendo, e o
primeiro seria o de formação de quadrilha. Para Joaquim Barbosa, esse
crime prescreverá em oito anos a partir de agosto de 2007, data do
recebimento da denúncia.
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