Quem comanda os manifestantes? Sabe-se
pouco deles, exceto que pertencem a variados grupos de esquerda. Quem, em São
Paulo, foco da crise, comanda os agentes que os enfrentam? Ninguém: durante a
maior parte do tempo em que a cidade parou, prefeito e governador ficaram em
Paris, sofrendo as agruras de estar longe de casa, em campanha para que São
Paulo seja escolhida, daqui a cinco meses, para sede de uma exposição que se
realizará daqui a sete anos.
Na terça, noite de tumultos, o governador tucano
Geraldo Alckmin e o prefeito petista Fernando Haddad estavam juntos, jantando
com as esposas, preocupadíssimos com São Paulo, na Embaixada brasileira em
Paris. Ambos os casais se hospedaram no ótimo e caro Hotel Matignon. Nem Haddad
nem Alckmin pensaram em voltar ao Brasil para enfrentar a crise. Como ensina a
clássica canção americana (http://youtu.be/y87nu14ZLU4), é irresistível a primavera em Paris.
Na rebelião de maio de 68, o general De Gaulle foi
para a TV e, num discurso histórico, reverteu a maré política. Mas De Gaulle
estava em Paris a serviço.
Seria essencial a presença de Alckmin e Haddad na
França? Não: nenhum dos dois tem imagem que reforce a candidatura paulistana.
Poderiam ter enviado Guilherme Afif para a Europa. Se Afif é vice do tucano e
ministro do PT, poderia acumular mais dois cargos e representar tanto Haddad
quanto Alckmin. Se Haddad e Alckmin estivessem em São Paulo, teriam resolvido
algo? Provavelmente não; mas pelo menos estariam no posto para o qual foram
eleitos.
A Polícia Militar paulista tinha o dever de
controlar os manifestantes, evitar ao máximo os danos ao patrimônio público e
privado, garantir ao máximo o direito de todos de movimentar-se pela cidade.
Cabe-lhe agir com energia, dentro da lei. Mas, especialmente na quinta-feira,
exorbitou na violência, chegando a fazer com que parte da opinião pública
mudasse de opinião e passasse a desculpar o vandalismo dos manifestantes.
Houve casos em que jornalistas perfeitamente identificáveis
foram atacados (em duas vezes, balas de borracha na cabeça; em outra, spray de pimenta nos olhos, a curta
distância; em outros casos, prisão por ter vinagre na mochila - uma precaução
contra bombas de gás). Muita gente foi espancada sem saber o motivo; e houve
bombas de gás lacrimogêneo atiradas a esmo.
Haverá rigoroso inquérito, prometem as
autoridades. Então, tá.
...o horror
Mas que ninguém diga que, se a PM não agisse, as
manifestações teriam sido pacíficas. Ninguém põe um coquetel Molotov na mochila
para comer linguicinha acebolada com os amigos no bar da esquina, nem para
rezar na missa das seis. E há fotos que mostram um rapaz quebrando portas de
estação do Metrô e tirando o Iphone do bolso para fotografar a façanha.
Como já disse uma vez o cineasta (de esquerda)
Pier Paolo Pasolini, é gente rica achando que é pobre e destruindo bens que
farão falta a quem não tem dinheiro para Iphone nem carro próprio.
Quem paga a conta
O Movimento Passe Livre foi criado no Fórum Social
Mundial de Porto Alegre em 2005 - promovido, como de hábito, com dinheiro público. O endereço eletrônico do
Movimento pertence a uma ONG chamada Alquimídia. Até a quinta-feira, o site da
Alquimídia trazia os logotipos da Petrobras e do Ministério da Cultura.
O custo dos logos foi de pouco mais de R$ 750 mil.
Ah, Petrobras
O país está mudando. Antes, o Governo só
atrapalhava a vida dos cidadãos; agora, está atrapalhando também a vida do
próprio Governo. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou a certidão
negativa de débitos da Petrobras, empresa controlada pelo Governo. Sem a
certidão, a Petrobras não pode importar, nem exportar. Os débitos cobrados
estão sendo contestados na Justiça, mas mesmo assim a Petrobras foi atingida. E
não pode sequer fazer o depósito em juízo, já que a dívida cobrada é de R$ 7,5
bilhões.
Resumo do caso: entre 1999 e 2002, a Petrobras não
recolheu imposto de renda sobre o pagamento de plataformas petrolíferas móveis.
Foi autuada, contestou a autuação (considera indevida a cobrança), e desde 2003
a questão está na Justiça. E agora está em risco uma das maiores empresas do
país. Mas nosso Governo é assim mesmo. Ele constroi, investe, anuncia, cobra,
não paga, protesta e paralisa.
Não precisa de oposição.
Ah, Rio
Dois dos principais candidatos ao Governo do Rio,
no ano que vem, são o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador
Lindbergh Farias (PT).
1 - O ministro Dias Toffoli, do Supremo, quebrou o
sigilo bancário, fiscal e de Bolsa de Lindbergh Farias.Ele responde a inquérito
sobre desvio de R$ 356,7 milhões no Fundo de Previdência dos Servidores
Municipais de Nova Iguaçu.
2 - a Justiça suspendeu a licitação
para o aluguel de dois jipões blindados, com tração nas quatro rodas, para uso
de Pezão. Custo previsto: R$ 261.600 por ano. Pezão diz que precisa de carros
com tração integral porque mora em área rural. Não é bem assim, informa Aziz
Ahmed, de O Povo, do Rio: Pezão mora no Leblon, praia nobre. E sua
casa de veraneio, em Piraí, fica no centro da cidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentário, fique à vontade para criticar e sugerior. Denúncias podem ser enviadas para louremar@bol.com.br ou louremar@msn.com