O preconceito e sua voz | Blog do Louremar

domingo, 3 de abril de 2011

O preconceito e sua voz

Por: José Roberto de Toledo/O Estado de São Paulo


Dep. Jair Bolsonaro.     Foto: reprodução
Jair Bolsonaro (PP-RJ) vive em um eterno 1º de abril. Seu auto-engano é um estado mental. Sua “revolução” é permanente. Seu preconceito racial e homofobia, indeléveis. Mas ele não é o único.

Eleito por seis mandatos consecutivos, Bolsonaro gasta pouco em suas campanhas eleitorais. Declarou menos de R$ 200 mil em despesas no ano passado, cerca de R$ 1,63 por eleitor. Renderam-lhe 120.646 votos. Sai barato porque o eleitorado é cativo.

Grande parte das proposições de Bolsonaro na Câmara dizem respeito a militares, especialmente da reserva e seus pensionistas, além de policiais militares e bombeiros. É sua retribuição ao eleitor.

O deputado não perde oportunidade de questionar ações contra a homofobia (como a distribuição de material condenando o preconceito em escolas públicas), e criticar regimes como o cubano. Não porque são ditatoriais, mas porque são de uma ditadura com ideologia diferente da sua.

Também combate as tentativas de reparação aos crimes cometidos pela ditadura militar no Brasil.

De olho no eleitorado que se impressiona com esse tipo de ação, Bolsonaro compra polêmicas, como quando propôs mudar o regimento da Câmara para fixar um crucifixo no plenário, logo atrás da mesa diretora, dentro do enquadramento das câmeras de TV.

Bolsonaro parece às vezes transtornado, ao estilo Jânio Quadros, mas é um gesto calculado. Ele é fiel a seu público e coerente em suas ações. Por isso, se não for cassado, é bem capaz de aumentar sua votação em 2014 às custas de quem tem preconceito contra negros e homossexuais.

O eleitorado de Bolsonaro é crescente. Ele teve 20 mil votos a mais em 2010 em comparação a 2006 (quando já tinha somado 11 mil novos eleitores em comparação a 2002). Seu patrimônio e ajuda financeira do partido também crescem.

O PP, através do seu comitê financeiro único e do diretório nacional, foi o único mantenedor da campanha eleitoral de Bolsonaro no ano passado, além do próprio deputado.

Em campanhas passadas, nenhuma empresa aparece nos registros de doadores. Apenas raras pessoas físicas, como o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). É possível que os doadores interessados em elegê-lo tenham doado o dinheiro ao partido para não serem identificados.

Isso combinaria com o tipo de preconceito velado que predomina no Brasil. Bolsonaro serve de porta-voz a um grupo que comunga muitas das suas convicções. Embora nem todos tenham coragem de expressá-las.

Mais importante do que discutir a pessoa, é condenar as ideias que ela propaga. Sozinho, Bolsonaro é apenas um bufão. Em conjunto, os “bolsonaros” representam a intolerância e a incapacidade de aceitar as diferenças, o que é sempre uma ameaça à democracia.

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