Vada a bordo, cazzo!
O comandante é o último a
abandonar o navio? Nem sempre: o comandante Francesco Schettino foi um dos
primeiros a cair fora, quando o seu Costa Concordia começava a naufragar. O capitão Gregorio de
Falco, da Guarda Costeira, indignou-se e mandou Schettino voltar ao navio. Vada a bordo, cazzo! - bradou. Schettino, cazzo, fingiu que não ouviu. Os passageiros que se danassem.
Mudemos de assunto. O presídio de Pedrinhas, no
Maranhão, teve rebeliões sucessivas, o crime organizado tomou conta de tudo e
promoveu assassínios com requintes de crueldade. O ministro da Justiça,
esquecido de que seu partido está no poder há onze anos, reclama que o sistema
penitenciário brasileiro é "medieval", e diz que preferia morrer a
ficar preso. Ele, a propósito, é o chefe do Departamento Penitenciário
Nacional, que deveria cuidar do assunto.
Os rolezinhos se multiplicam e ameaçam
transformar-se numa crise política - e numa crise se transformarão assim que
alguém perder a cabeça e for para o confronto físico. E a segurança da Copa,
que está sendo discutida, de que forma será equacionada?
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sabe
perfeitamente o que fazer: como o comandante Schettino, abandonar o barco o
mais rapidamente possível, antes que o naufrágio se complete, e deixar claro
que tê-lo ou não como ministro da Justiça não faz a menor diferença. Cardozo
descansou nos feriados de fim de ano, tirou férias entre 2 e 6 de janeiro, e, a
partir de sexta, tira mais oito dias de folga. Volta dia 26.
E até agora, no Governo, ninguém lhe gritou Vada a bordo.
Woodstock à brasileira
O comentário é do jornalista e apresentador
Marcelo Tas:
"O garoto amava os Beatles e os Rolling
Stones, lutou contra a Ditadura... Hoje defende Roseana. O bagulho é doido, né
ministro Zé Eduardo?"
Coincidência
Ah, os nomes! Pois não é que o recordista de
gastos de dinheiro público, com o tal cartão corporativo do Governo brasileiro,
também se chama Schetino?
Me engana...
Não leve a sério essa história de que o PMDB está
disposto a deixar o Governo Federal por não ter conseguido o sexto ministério.
O PMDB é coerente: sempre no Governo. Se a oposição vencer as eleições, o PMDB
continua no Governo como se nada tivesse acontecido. A oposição pode ir para o
Governo, os governistas podem ir para a oposição, mas o PMDB continua onde
sempre esteve. Os peemedebistas, pessoas educadas, de fino trato, sabem que é
feio morder a mão que os alimenta.
E, considerando-se que Dilma Rousseff é favorita
na disputa, é mais fácil o Fluminense ser rebaixado do que o PMDB mudar de
lado.
...que eu gosto
A autorização para que o Governo paulista
concedesse à iniciativa privada cinco aeroportos regionais foi publicada no Diário Oficial da
União por
erro burocrático da Secretaria de Aviação Civil. O mesmo erro, certamente, foi
responsável pela alegria do ministro Moreira Franco após divulgar as
concessões.
Fica combinado assim. Espalhando isso todo mundo
fica contente, até a presidente.
Constatação
Comparando-se as mesmas classes sociais,
analisando hábitos, perfis e fotos, está claro que os franceses comem melhor
que os brasileiros.
O rolo do rolê
O Carnaval cai em março. A Semana Santa, início
oficial do ano, na segunda metade de abril. O Brasil já estará no clima da
Copa. A campanha eleitoral começa em 5 de julho, coincidindo com a última
semana da Copa. Em seguida, há as discussões sobre o desempenho do Brasil, quem
foi bem, quem foi mal, as festas, se for o caso, ou as críticas ferozes. O
horário gratuito começa em 15 de agosto. Quem é mais conhecido leva vantagem (e
quem é mais conhecido do que Dilma?)
Na TV, tem mais tempo o candidato da maior
aliança- Dilma sai com vantagem de novo. Para o PT, quando mais curta e menos
intensa for a campanha, melhor. Aí aparecem os tais rolezinhos, que podem gerar
tumultos. Alguém poderia explicar a este colunista por que tantos petistas
apoiam os rolezinhos?
Abrindo o flanco
O ministro Joaquim Barbosa saiu de férias. Mas
deve receber do Supremo onze diárias de viagem, no período de 20 a 30 de
janeiro, no valor total de pouco mais de R$ 14 mil.
Explicação: Barbosa interromperá suas férias neste
período para fazer duas palestras, em Paris e Londres. Como será então uma
viagem a trabalho, faz jus às diárias. Tudo legal, sem dúvida. Mas pega bem
receber onze diárias para fazer duas palestras, uma delas de 30 minutos?
Barbosa não tem medo de ataques: saiu de férias
sem assinar a ordem de prisão do deputado João Paulo Cunha, já foi grosseiro
com um repórter e com pelo menos três ministros do Supremo, não informa quando
(e se) determinará a prisão do mensaleiro condenado Roberto Jefferson, agora
recebe diárias de viagem a trabalho mesmo depois de ter dito que tiraria férias
de 10 a 30 de janeiro. Não deve haver nada errado. Mas, como ensinavam os
antigos romanos, mestres de nosso Direito, à mulher de César não basta ser
honrada: é preciso também parecer honrada.
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