Em serviços como o Gmail, serviço gratuito de e-mail do Google,
a privacidade perde para o marketing.
Por Felipe Marra Mendonça
As revelações feitas por Edward Snowden, o ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA que delatou os esquemas de espionagem do governo Barack Obama, levaram muitos a repensar a segurança das comunicações, até então tida como preservada, caso da troca de e-mails. Mas não são apenas as agências de espionagem que estão interessadas em ler e-mails alheios: os próprios serviços de correio eletrônico oferecidos aos internautas também adotam a prática.
Exemplo disso é o Google. Recentemente, a empresa admitiu que os usuários do Gmail, seu serviço gratuito de e-mail, não deveriam ter qualquer “expectativa razoável” de suas mensagens serem confidenciais.
Foi essa a principal mensagem descoberta pela ONG Consumer Watchdog, entidade defensora dos interesses dos consumidores, entre os documentos de um processo aberto contra o Google, sob a acusação de este infringir a lei ao analisar o conteúdo de e-mails para em seguida publicar anúncios dirigidos aos usuários do seu serviço de mensagens eletrônicas.
Segundo Eric Schmidt, presidente do conselho do Google, a política da empresa é “chegar até o limite do desconfortável, mas sem ultrapassar essa linha”. O Google também alegou, em ação movida para barrar o processo aberto pela ONG, que a acusação seria uma “tentativa de criminalizar práticas comuns” e que “todos os usuários necessariamente supõem que seus e-mails serão sujeitos ao processamento automático”.
Segundo John Simpson, diretor do projeto de privacidade do Consumer Watchdog, a justificativa seria uma admissão da empresa de desrespeito à privacidade. “As pessoas deveriam então levá-los ao pé da letra. Se realmente se preocuparem com a privacidade das pessoas com quem se correspondem, devem simplesmente parar de usar o Gmail. Além disso, o Google usa uma analogia incorreta ao comparar o envio de um e-mail ao que se passa com as cartas nos correios. Espero que os correios entreguem a minha carta com base no endereço do envelope, e não que abram a minha carta para ler o conteúdo.”
Publicado originalmente no site da Carta Capital
Foi essa a principal mensagem descoberta pela ONG Consumer Watchdog, entidade defensora dos interesses dos consumidores, entre os documentos de um processo aberto contra o Google, sob a acusação de este infringir a lei ao analisar o conteúdo de e-mails para em seguida publicar anúncios dirigidos aos usuários do seu serviço de mensagens eletrônicas.
Segundo Eric Schmidt, presidente do conselho do Google, a política da empresa é “chegar até o limite do desconfortável, mas sem ultrapassar essa linha”. O Google também alegou, em ação movida para barrar o processo aberto pela ONG, que a acusação seria uma “tentativa de criminalizar práticas comuns” e que “todos os usuários necessariamente supõem que seus e-mails serão sujeitos ao processamento automático”.
Segundo John Simpson, diretor do projeto de privacidade do Consumer Watchdog, a justificativa seria uma admissão da empresa de desrespeito à privacidade. “As pessoas deveriam então levá-los ao pé da letra. Se realmente se preocuparem com a privacidade das pessoas com quem se correspondem, devem simplesmente parar de usar o Gmail. Além disso, o Google usa uma analogia incorreta ao comparar o envio de um e-mail ao que se passa com as cartas nos correios. Espero que os correios entreguem a minha carta com base no endereço do envelope, e não que abram a minha carta para ler o conteúdo.”
Publicado originalmente no site da Carta Capital
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